Ananke da Informação e Controle Digital, dos autores Callera Jarreliss e Atena Cybele.
- carlospessegatti
- 4 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 13 de abr. de 2025

É com orgulho que anunciamos o lançamento do livro "Ananke da Informação e Controle Digital", dos autores Callera Jarreliss e Atena Cybele.
Neste livro, eu e a escritora Atena Cybele trazemos à tona uma reflexão profunda sobre o nosso tempo — um tempo atravessado por tecnologias que informam, mas também vigiam; que conectam, mas também aprisionam. "Ananke", figura mitológica grega que representa a necessidade, o destino inevitável, é aqui ressignificada como metáfora da lógica de controle que atravessa a era digital.
O Preâmbulo abre o caminho com uma meditação sobre a condição humana em tempos de vigilância algorítmica, onde liberdade e dominação se entrelaçam em redes invisíveis. Na sequência, o texto crítico que antecede o primeiro capítulo oferece as bases filosóficas e políticas da obra, lançando luz sobre a transição da sociedade disciplinar para a sociedade de controle, à maneira de Foucault e Deleuze, mas também sob o olhar marxista que interroga as novas formas de exploração e alienação.
Ao longo dos nove capítulos, discorremos sobre temas como o imperialismo da informação, a estetização do controle, o esvaziamento do sujeito e a captura do desejo por sistemas cibernéticos. Trato da arquitetura da dominação algorítmica, da cultura do espetáculo reconfigurada pelas redes sociais, e da dissolução da esfera pública diante da lógica do consumo e da personalização compulsória.
A crítica não se detém na denúncia: ela propõe também caminhos de resistência, fissuras, zonas de criação autônoma, arte insurgente e pensamento complexo como armas simbólicas contra a tirania do dado.
Ananke da Informação e do Controle Digital é, portanto, um chamado. Um convite à vigília crítica, ao pensamento indócil, à desautomatização do olhar. É um livro que nasce do incômodo — e da esperança de que, mesmo sob o domínio das engrenagens invisíveis, ainda seja possível escolher, intervir e criar.
Os Três Ananke de Victor Hugo: Dogmas, Leis e Coisas
Victor Hugo, um dos maiores escritores franceses do século XIX, concebeu uma visão singular sobre as forças que moldam a existência humana. Ele identificou três grandes fatalidades ou necessidades fundamentais da vida, as quais chamou de Anankes, termo grego que significa "necessidade" ou "fatalidade".
Esses Anankes são os Dogmas, as Leis e as Coisas, cada um representando um aspecto essencial da existência e da luta do homem contra as estruturas que o oprimem ou direcionam. Para cada um desses Anankes, Hugo escreveu um romance monumental:
Para o Ananke dos Dogmas, escreveu O Corcunda de Notre Dame;
Para o Ananke das Leis, escreveu Os Miseráveis;
Para o Ananke das Coisas, escreveu Os Trabalhadores do Mar.
A partir dessas obras, Hugo desenvolve uma profunda crítica social, moral e filosófica, expondo os limites da religião, da justiça e da luta do homem contra as forças materiais que o cercam.
Se antes as necessidades e fatalidades humanas estavam ligadas ao Ananke dos Dogmas (a necessidade de crenças e valores que estruturam a sociedade), ao Ananke das Leis (as regras que regulam a convivência coletiva) e ao Ananke das Coisas (as forças materiais, econômicas e tecnológicas que sustentam a vida), hoje poderíamos falar do Ananke dos Algoritmos.
Capítulos que farão parte deste livro
O Novo Ananke: Do Destino Mitológico ao Algoritmo Inescapável
A origem do conceito de Ananke na Grécia Antiga e sua atualização no mundo digital.
A Ilusão da Neutralidade: O Poder Político dos Algoritmos
Como o discurso tecnoutópico esconde as agendas de controle.
O mito da objetividade algorítmica e a manipulação dos dados.
A Ascensão dos Dados e a Morte da Política (inspirado em Morozov)
A substituição do debate público pela "solução algorítmica".
Despolitização e automação da governança.
A Era do Panóptico Digital: Vigilância, Controle e Censura
Como dados e IA reconfiguram os mecanismos de controle social.
Do Panóptico de Foucault à Datacracia Contemporânea.
Neurocapitalismo e a Colonização da Subjetividade
Como o capitalismo digital reprograma desejos e emoções.
A neurociência a serviço do consumo algorítmico.
A Maldição do Engajamento: Como os Algoritmos Reinventaram o Vício
Dopamina e economia da atenção.
Redes sociais como novos oráculos de Ananke.
O Ananke do Trabalho Digital: Do Taylorismo ao Capitalismo de Plataforma
Automação, precarização e o "trabalho invisível" dos dados.
IA como nova forma de exploração e desigualdade.
O Pós-Humano e o Destino Algorítmico
A fusão entre humanos e máquinas como nova fatalidade.
O transumanismo e seus dilemas éticos.
Rompendo o Ciclo: É Possível Escapar do Novo Ananke?
Estratégias de resistência digital.
Tecnopolítica, descentralização e alternativas ao controle algorítmico.
Assista à entrevista onde anunciamos o lançamento desta obra
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