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Beethoven e a Eternidade Cantada por um Violino

  • carlospessegatti
  • 15 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura



Há obras que nos tocam de forma tão íntima que parecem ter sido escritas não apenas para o mundo, mas para a nossa alma em específico. Em minha longa caminhada como músico e pensador das artes, poucos momentos sonoros me comoveram tanto quanto o Larghetto do Concerto para Violino em Ré Maior, Op. 61, de Beethoven. Essa segunda parte do concerto — delicada, suspensa, quase incorpórea — me soa como uma carta enviada de um outro plano da existência, onde beleza, silêncio e transcendência se entrelaçam.


Compartilho aqui minha reflexão sobre essa peça monumental, cujos três movimentos formam uma verdadeira viagem pela alma humana — do espírito heroico à contemplação serena, e de volta ao mundo, renovados pela música.


Reflexões sobre o Concerto para Violino em Ré Maior, Op. 61: a lírica do sublime em três movimentos


Poucas obras na história da música ocidental carregam tamanha nobreza, introspecção e grandiosidade quanto o Violin Concerto in D Major, Op. 61, de Ludwig van Beethoven. Composto em 1806, em pleno amadurecimento artístico do compositor, este concerto não apenas inaugura uma nova era para o gênero — elevando o violino a um estado quase oracular — como também expressa, de forma comovente, a visão beethoveniana da beleza como algo profundamente espiritual e humanista.


A obra se desdobra em três movimentos, cada qual revelando uma dimensão própria da alma humana:


I. Allegro ma non troppo – O Chamado da Grande Jornada


O primeiro movimento se abre com uma batida suave dos tímpanos, um gesto incomum e visionário, que desde o início confere à peça um caráter quase mítico.


O tema principal é apresentado com elegância e amplitude, criando um espaço sonoro onde o solista parece dialogar com o cosmos. A orquestra não é apenas um pano de fundo, mas sim uma extensão do pensamento musical do violino — e juntos tecem um discurso que parece alternar entre a contemplação e a esperança. Aqui, Beethoven nos convida a uma jornada onde o heróico não é ruído de guerra, mas nobreza do espírito.


II. Larghetto – A Voz Interior do Infinito


Este segundo movimento, — aquele que tocou meu coração de forma tão profunda — é uma verdadeira meditação em forma de som. O Larghetto é como uma prece que não pede nada, mas agradece pela simples beleza de existir.


A linha do violino flutua acima da orquestra como se fosse um pensamento suave, uma memória ancestral, talvez um eco do próprio tempo. Não há pressa, não há angústia: há apenas a presença do eterno. Beethoven, em sua surdez crescente, parece ter escrito aqui não para os ouvidos do mundo, mas para os ouvidos da alma.


III. Rondo (Allegro) – O Retorno à Terra com Alegria


Depois da interioridade celestial do segundo movimento, o terceiro nos traz de volta ao plano terreno, mas não sem encantamento. É um rondo dançante, vivo, mas nunca vulgar. O virtuosismo do violino é aqui mais lúdico do que exibicionista, como se o instrumentista estivesse brincando com os deuses, devolvendo à terra os sons colhidos nas esferas superiores. Este movimento conclui a obra com leveza e espírito festivo — sem jamais abandonar a nobreza que percorre toda a composição.


O Concerto para Violino em Ré Maior não é apenas uma obra-prima — é um portal para outra forma de sentir o tempo, a beleza e o humano. Nele, Beethoven não escreve apenas para o instrumento, mas para o próprio espírito que vibra em cada ouvinte. Uma peça que nos recorda de que a verdadeira arte não é entretenimento, mas revelação.


Ao publicar este texto em meu blog, digo que isso é mais do que apresentar uma peça célebre — é convidar os meus leitores a uma escuta mais profunda do mundo e de si mesmos.


E para finalizar, reproduzo aqui um lindo poema da poetisa curitibana Helena Kolody quando ela diz… 

“Rezam meus olhos quando contemplo a beleza.  A beleza é a sombra de Deus no mundo.”


Amém!!!


Aprecie agora o 2º movimento, o Larghetto, deste magistral concerto,

talvez o mais belo já escrito.



Violin Concert Op. 61 in D major





 
 
 

1 comentário


Convidado:
15 de abr. de 2025

"A beleza é a sombra de Deus no mundo."

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