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China: Entre Tradição e Futuro – A Fascinação de Vangelis e Jean-Michel Jarre pela Terra do Dragão

  • carlospessegatti
  • 1 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura



As Transformações da China no Final dos Anos 1970 e Início dos Anos 1980 e Suas Conexões com a Música Eletrônica


A China, no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, vivia um momento de grandes transformações. Após a morte de Mao Tsé-Tung em 1976, o país iniciou um processo de abertura econômica e social sob a liderança de Deng Xiaoping. O fim da Revolução Cultural marcou um período de reconstrução, no qual a China começou a estabelecer relações mais próximas com o Ocidente. Essa transição representava uma mistura de mistério, tradição milenar e modernização acelerada. Esse cenário exerceu um enorme fascínio sobre artistas ocidentais, incluindo dois dos maiores nomes da música eletrônica: Vangelis e Jean-Michel Jarre.


China (1979) – Vangelis


O álbum China, lançado em 1979, é uma homenagem de Vangelis à cultura chinesa. Apesar de nunca ter visitado o país antes da composição do álbum, ele capturou a essência sonora da China através de timbres e melodias inspiradas em sua tradição musical.


Faixas e Análise

  1. Chung Kuo – Abre o álbum com um clima majestoso e cinematográfico, simbolizando a grandeza da China antiga e moderna.

  2. The Long March – Inspirada na Longa Marcha do Exército Vermelho, a faixa tem um tom épico e reflexivo.

  3. The Dragon – Um dos momentos mais dinâmicos do álbum, com percussão eletrônica marcante e melodias vigorosas.

  4. The Plum Blossom – Uma peça suave e meditativa, evocando o espírito da música tradicional chinesa.

  5. The Tao of Love – Uma faixa etérea, com melodias que parecem flutuar no ar, remetendo à filosofia do Taoísmo.

  6. The Little Fete – Baseada em um poema chinês, essa faixa traz um clima introspectivo e contemplativo.

  7. Yin & Yang – Explora a dualidade entre forças opostas, utilizando camadas de sintetizadores e sons evocativos.

  8. Himalaya – Uma faixa grandiosa, remetendo às paisagens montanhosas da Ásia.

  9. Summit – O encerramento do álbum é uma composição serena, que transmite uma sensação de paz e encerramento.


Ficha Técnica e Equipamentos Utilizados


  • Sintetizadores: Yamaha CS-80, Roland Jupiter-4, Sequential Circuits Prophet-5

  • Outros instrumentos: Percussões eletrônicas e acústicas, harpa eletrônica

  • Produção: Vangelis gravou e produziu o álbum sozinho, misturando elementos ocidentais e orientais.



The Concerts in China (1981) – Jean-Michel Jarre

Jean-Michel Jarre foi o primeiro artista ocidental a realizar uma turnê na China comunista, em 1981. Essa série de concertos históricos aconteceu em Pequim e Xangai e foi documentada no álbum The Concerts in China.


Faixas e Análise

  1. The Overture – Uma introdução grandiosa, remetendo a paisagens cinematográficas.

  2. Arpegiator – Um dos momentos mais eletrônicos do álbum, com padrões de sequenciamento marcantes.

  3. Equinoxe IV – Um clássico de Jarre, tocado com variações adaptadas ao público chinês.

  4. Fishing Junks at Sunset – Criada em colaboração com músicos chineses, mescla elementos eletrônicos com a tradição oriental.

  5. Band in the Rain – Um interlúdio delicado, capturando a atmosfera dos concertos.

  6. Equinoxe VII – Outra peça icônica do artista, com texturas atmosféricas.

  7. Orient Express – Uma faixa enérgica e pulsante, evocando a fusão entre Oriente e Ocidente.

  8. Magnetic Fields I & III – Trechos adaptados do álbum Magnetic Fields, com forte presença de arpejos eletrônicos.

  9. Laser Harp – Jarre utiliza sua icônica harpa laser, um dos momentos mais visuais do show.

  10. Souvenir of China – Encerramento melancólico e nostálgico, refletindo a experiência da turnê.


Ficha Técnica e Equipamentos Utilizados


  • Sintetizadores: ARP 2600, EMS Synthi AKS, Moog Liberation, Oberheim OB-X, Roland Jupiter-8

  • Outros instrumentos: Harpa Laser, sequenciadores analógicos, percussões eletrônicas

  • Produção: Gravado ao vivo na China, com adições de estúdio para a versão final do álbum.


Os álbuns China e The Concerts in China simbolizam um encontro entre a modernidade ocidental e a tradição milenar chinesa. Ambos os artistas utilizaram a música eletrônica como uma ponte entre culturas, em um momento em que a China começava a se abrir para o mundo. Essas obras permanecem como testemunhos sonoros desse período de transformação, mistério e encanto.



Jean Michel Jarre - Fishing Junks at Sunset



Souvenir de Chine - Jean Michel Jarre




Chung Kuo - Vangelis (1979)



 
 
 

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