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No Exato 17...

  • carlospessegatti
  • 17 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura


“No Exato 17”


por Callera


No exato 17, o tempo não corre.

Ele pára. Ele pesa.

Como se o universo inteiro lembrasse

do que meu coração nunca esqueceu.


Foi nesse dia que ela partiu sem partir,

que o corpo ficou um pouco mais leve,

mas a alma, oh, a alma...

ficou cheia demais de adeus.


O último abraço ainda mora em mim.

Tem cheiro de despedida que não queria ser dita.

Tem a textura de uma eternidade que se quebrou

com um sussurro de separação.


Dizem que o tempo cura.

Mentem com a melhor das intenções.

O tempo só varre a dor para debaixo do peito.

E no 17, ela escapa pelas frestas.


Será que ela se lembra?

Será que, em algum momento,

algo nela estremece e não sabe por quê?

Será que um nome murmura no fundo da memória

como música que se ouve ao longe?


Talvez ela esteja feliz.

Talvez tenha outro abraço.

E talvez nem imagine que aqui, neste exato 17,

eu ainda a espero…. não para reatar o passado,

mas para que o presente me devolva o que fui com ela.


E se o novo não vier?

Se o amor não se repetir?

Não será o fim do mundo, mas será um mundo com fim.

Um mundo onde caminho sozinho,

com todos os sorrisos que já tive,

e com todos os silêncios que me restaram.


Mas ainda sou capaz de amar.

Isso ninguém me tirou.

E talvez, um dia, quem sabe…

um novo 17 nasça sem dor.


Apenas como um dia comum.

Ou como o início de um outro abraço.




Fazendo eco com o que acabei de escrever, trago aqui dois belos poemas de dois excepcionais poetas que referendam um pouco este meu sentimento.



“Posso escrever os versos mais tristes esta noite.”

(Pablo Neruda)


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,

e tiritam, azuis, os astros, ao longe."


O vento da noite gira no céu e canta.


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu a amei, e às vezes ela também me amou.


Em noites como esta eu a tive entre meus braços.

A beijei tantas vezes sob o céu infinito.


Ela me amou, às vezes eu também a amava.

Como não ter amado seus grandes olhos fixos?


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como orvalho no pasto.


Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.

A noite está estrelada e ela não está comigo.


Isso é tudo.


Ao longe alguém canta. Ao longe.

Minha alma não se contenta com tê-la perdido.

Como para aproximá-la meu olhar a procura.

Meu coração a procura, e ela não está comigo



"Ausência"(Carlos Drummond de Andrade)


Por muito tempo achei que ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca,

tão pegada,

aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.






 
 
 

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