The Thingified World: Um novo projeto começa a ser gestado
- carlospessegatti
- 21 de abr. de 2025
- 3 min de leitura

Em The Thingified World, décimo primeiro álbum da minha carreira a ser lançado depois de Cosmic Purpose, eu convido a todos para junto comigo atravessar os subterrâneos da condição contemporânea, onde a promessa do digital se transforma em pesadelo concreto.
Inspirado nas ideias de György Lukács, este álbum-sonho-sonoro é uma crítica poética à reificação — esse processo insidioso em que o ser humano é reduzido à condição de objeto, funcionalidade, mercadoria.
Cada faixa é uma cápsula filosófica, uma viagem auditiva que percorre os corredores do corpo esvaziado, do afeto automatizado, da liberdade simulada. Sons sintéticos, drones lentos e harmonias cortantes criam uma ambiência onde o humano agoniza, mas ainda resiste.
Em tempos em que algoritmos medem desejos, corpos viram dados e a alma se esconde atrás de avatares, The Thingified World propõe uma escuta radical: a escuta daquilo que foi silenciado.
Eis aqui o som da carne que se recusa a ser coisa.
🎧 Faixas e Textos Conceituais:
Birth of the Object
O ponto de partida: o instante em que o ser humano começa a se perceber menos como sujeito e mais como peça. O nascimento da “coisa social” no corpo biológico. Sons amnióticos e texturas de vidro líquido evocam esse transbordamento do orgânico para o funcional.
Skin of Code
A epiderme é substituída por linhas de programação. O sujeito se reveste com interfaces, máscaras digitais, identidades performadas. Um hino frio de bytes e glitches que se confundem com pulsações humanas.
The Illusion of Connection
Redes sociais, hiperconectividade, presença plena — e no entanto, o abismo da solidão. Um som atmosférico e desconcertante, que parece falar com muitas vozes, mas todas ecoam no vazio.
Silence of the Organic
A natureza deixa de emitir sua música. O corpo biológico, desativado. Nesta faixa lenta e meditativa, escutamos o silêncio do que já foi vivo, entre ruídos de máquinas e frequências perdidas.
Data as Destiny
Quem somos senão os nossos dados? Uma crítica à nova metafísica algorítmica: não há mais essência, apenas perfis, padrões, predições. Sons repetitivos e matemáticos geram um senso de prisão e inevitabilidade.
Simulated Will
O livre-arbítrio como farsa. Escolhas conduzidas por mecanismos invisíveis. Esta faixa incorpora ritmos ilusórios, como um labirinto sonoro onde toda saída é só mais uma entrada.
The Market of Emotions
Emoções como produtos. Likes, reacts, algoritmos que medem e vendem afetos. Uma música que mistura melancolia sintética com loops pulsantes, como um coração que bate só porque precisa vender algo.
Machine as Mirror
O ser humano passa a ver a si mesmo como máquina — e a máquina, como ideal de existência. Sons mecanizados, quase industriais, refletem o fascínio e o horror desse espelhamento.
The Thingified World
A faixa-título. Uma síntese sonora da condição reificada. Uma música ampla, com camadas densas, onde o sujeito é absorvido pelo ruído do mundo-mercadoria. Mas há um sopro, uma dissonância, uma fagulha de resistência.
Post-Human Lament (faixa bônus)
Um lamento que ecoa de um tempo futuro, quando tudo já foi coisificado. Restam ecos da memória, ruídos do humano extinto. O lamento de um pós-humano que ainda deseja... algo que já não sabe nomear.
🌐 The Thingified Word
"Este não é um mundo feito de coisas. É um mundo tornado coisa."
Em uma era onde o ser humano é reduzido a dados, algoritmos e métricas de engajamento, onde as relações são mediadas por interfaces e a interioridade se dilui no ruído da visibilidade constante, a transformação do sujeito em objeto não é mais metáfora — é realidade encarnada.
The Thingified World carrega no nome essa denúncia sutil e, ao mesmo tempo, esse grito silencioso: o processo pelo qual o humano, suas emoções, corpos e sonhos, tornam-se engrenagens da maquinaria global, submissos à lógica do capital e da automatização.
Diferente de um “mundo feito coisa” por um gesto único, brutal, aqui temos um mundo que se coisifica continuamente, num lento esvaziamento da presença, da organicidade e da alteridade.
O título evoca o pensamento de György Lukács, mas também os espectros de Kafka, de Donna Haraway, de Byung-Chul Han e de todos os que pressentiram que, por trás da tela, há um espelho cego que não nos devolve mais o humano.





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