top of page
Buscar

O Uno Vibrante: do Tao à vibração primordial das cordas

  • carlospessegatti
  • 25 de jun. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 25 de jul. de 2025




Há mais de dois mil anos, o Tao Te Ching nos dizia:


“Do Tao nasceu o Um. Do Um nasceram o Dois. Do Dois nasceram o Três. E do Três nasceram os dez mil seres.”


Essa cosmologia, tão sintética quanto abissal, propunha uma gênese da existência onde tudo emana de uma unidade originária invisível e vibrante — o Tao. Esse Tao, por sua natureza inapreensível, não pode ser nomeado, definido ou enquadrado. Ele é fluxo, é vazio fértil, é campo de possibilidades.


Milênios depois, na busca por compreender as forças fundamentais do universo, a física teórica moderna chegou à Teoria das Cordas — e nela, reencontramos o eco da intuição taoista. Segundo essa teoria, as partículas elementares não são pontos indivisíveis, mas minúsculas cordas vibrantes, cujas diferentes frequências de vibração dão origem a todas as formas de matéria e energia.


Não é difícil ver aqui um espelhamento poético e ontológico:

  • O Tao, princípio invisível e gerador de todas as coisas, ressoa com a ideia do campo unificado onde vibram as cordas cósmicas;

  • O Um taoista — anterior à polaridade Yin-Yang — encontra seu paralelo no espaço de 13 dimensões em que as cordas vibram: um espaço que não pode ser percebido diretamente, mas que contém em si todas as possibilidades da existência;

  • E o nascimento dos "dez mil seres", como resultado da diferenciação do Tao, ecoa nas diferentes partículas surgidas das modulações dessas cordas — elétrons, fótons, bósons, quarks — tudo como manifestação da mesma essência vibracional.


Neste sentido, a Teoria das Cordas não é apenas ciência: ela é poética cosmogônica. É a linguagem matemática tentando traduzir o mesmo mistério que Lao-Tsé já intuía — um universo que não é feito de coisas, mas de vibrações. Ser é vibrar. Existir é ressoar.


Silêncio, vibração e criação

Tanto o Taoismo quanto a Teoria das Cordas exigem do observador uma sensibilidade não-linear. O Tao não pode ser forçado, ele deve ser seguido em sua fluidez natural — wu wei, As Cordas também não revelam seus segredos facilmente: elas estão além da percepção direta, escondidas nas tramas do espaço-tempo multidimensional. O conhecimento, aqui, não é de captura, mas de escuta.


Assim como na meditação taoista se silencia o pensamento para perceber o Tao fluindo em tudo, também a física moderna precisa silenciar as certezas do mundo clássico para perceber a dança vibratória do invisível.

Entre o Tao e as Cordas, há uma ponte: o som.


No Taoismo, o silêncio é cheio. Ele não é ausência, mas presságio da vibração. Na Teoria das Cordas, o universo não é um edifício, mas uma sinfonia. O cosmos é música em sua essência. E eu sou um dos que pressentem isso: meu som ecoa como intuição desse Uno Vibrante — tanto ancestral quanto futuro.


O artista como iniciado das cordas invisíveis

Para o artista que vive neste entrelugar — entre o visível e o campo sutil — a Teoria das Cordas pode servir como um mapa poético. Cada nota musical, cada pulsação harmônica, pode ser entendida como tradução audível das cordas cósmicas. Cada obra como tentativa de ressoar com esse fundo primordial que o Tao chama de Não-Nomeável.


Na prática artística, esse princípio se encarna em formas como:

  • Composições que buscam evocar a unidade por meio da repetição e variação — como mantras sonoros, drones, minimalismo progressivo;

  • Estruturas musicais que se afastam da linearidade ocidental e se aproximam do fluxo circular do Tao;

  • Texturas e camadas que criam atmosferas imersivas, mais voltadas à experiência sensorial total do que à narrativa;

  • E principalmente: a escuta como criação — o som como meio de entrar em ressonância com o mistério do ser.


A vibração como ponte entre ciência e sabedoria

Quando o saber científico reencontra o saber intuitivo, o mundo se revela em unidade. A Teoria das Cordas, ao propor que tudo vibra em múltiplas dimensões, não nega o pensamento antigo — ela o confirma em outra linguagem.


O Tao e as Cordas nos falam da mesma coisa: o universo é um só corpo em vibração. Cada ser, cada estrela, cada nota — tudo é expressão do Uno. E talvez a tarefa do artista contemporâneo seja justamente essa: ser o canal por onde essa vibração se manifesta.


“O Tao é o caminho. As Cordas são suas vibrações.”— Fragmento apócrifo do futuro







Do Tao à Teoria das Cordas


Visões orientais e científicas da interconexão total


1. Introdução — Entre ciência e sabedoria antiga

A história do pensamento humano é, em seu mais profundo movimento, uma tentativa de compreender a unidade por trás da multiplicidade. Se os místicos intuíam um Uno invisível e vibrante, os cientistas do presente buscam descrevê-lo com equações, modelos e teorias.


Num tempo em que a física moderna aponta para dimensões ocultas e estruturas vibracionais fundamentais — como faz a Teoria das Cordas —, torna-se cada vez mais evidente que certas sabedorias antigas não estavam erradas, apenas usavam outra linguagem.


Este ensaio propõe um encontro entre o Oriente ancestral e a ciência contemporânea: entre o Tao, como o fluxo originário e indizível de todas as coisas, e as cordas vibrantes que, segundo a física, formam a malha do universo. O que nasce desse encontro é mais que comparação: é ressonância.


2. O Tao: o Uno que não se nomeia


O Tao Te Ching, de Lao-Tsé, começa com uma negação:

“O Tao que pode ser dito não é o Tao eterno.”


O Tao é o fundamento de tudo, mas não pode ser descrito ou representado. Ele é o fluxo invisível que antecede o mundo manifesto. A ele se segue o Um, depois o Dois (a polaridade yin-yang), o Três (a mediação dinâmica) e, por fim, os "dez mil seres" — ou seja, a multiplicidade da existência.


O Tao é, em essência, uma vibração não manifesta, o campo onde todas as formas dormem em potência. Ele não se move por força, mas por equilíbrio. Sua ação é o wu wei — o agir sem agir, o gesto que segue o curso natural das coisas.


3. A Teoria das Cordas: ciência como cosmogonia vibracional


A Teoria das Cordas, desenvolvida por físicos teóricos a partir dos anos 1970,

propõe que as partículas fundamentais da matéria — elétrons, quarks, fótons — não são pontos, mas cordas minúsculas que vibram em múltiplas dimensões.


Cada tipo de partícula corresponderia a uma frequência diferente de vibração. Ou seja: o universo, em seu fundamento, não é feito de coisas, mas de padrões vibracionais.


As cordas vibram em espaços que ultrapassam os três eixos que conhecemos: para que seus cálculos façam sentido, é necessário um universo com até 13 dimensões. A realidade, portanto, é muito mais ampla e sutil do que nossos sentidos podem captar.


4. O Tao como intuição do Uno vibrante


Quando colocamos lado a lado essas duas visões — o Taoismo e a Teoria das Cordas —, algo profundo acontece.


O Tao, como o campo não manifestado, invisível e gerador, se assemelha ao espaço quântico onde vibram as cordas. O Uno taoista que se divide em muitos, é o mesmo Uno das cordas que se diferenciam em partículas. A impermanência do Tao — tudo flui, tudo se transforma — reflete o caráter ondulatório e instável do universo quântico.


É como se a ciência moderna estivesse, finalmente, traduzindo em linguagem matemática uma sabedoria milenar:o universo é vibração. A realidade é relação. A matéria é música.


5. Silêncio, ressonância e criação

Na meditação taoista, busca-se o silêncio interior, não como ausência, mas como estado de escuta profunda. Na física, o vácuo quântico não é vazio, mas pleno de possibilidades vibratórias.


Ambas as tradições, então, rompem com a ideia de matéria sólida e definitiva, e propõem que tudo o que existe emerge de um campo invisível, sutil, dinâmico.


Essa visão tem consequências para a arte: criar, nesse contexto, não é representar o mundo, mas ressoar com ele. A música, a pintura, a dança — tornam-se meios de tornar sensível o invisível, de canalizar o fluxo universal.


6. O artista como afinador do cosmos

A minha própria trajetória musical talvez sejam a prova viva dessa conexão. Minhas composições — com drones, camadas e atmosferas — não tentam contar uma história linear. Elas abrem um campo de vibração, convidam o ouvinte a se dissolver no som, a tocar o que não tem forma.


O artista, aqui, é como o sábio taoista: não cria por força, mas por sintonia. É um afinador de cordas invisíveis.


Um médium entre as dimensões.


7. O cosmos como sinfonia

No fim das contas, talvez todas as cosmologias convergem.Aquela que brota do Tao e aquela que brota do acelerador de partículas. Ambas nos dizem que a realidade não é feita de coisas, mas de relações vibratórias. Que existir é estar em interconexão.Que o universo é, no fundo, um único corpo em ressonância.


E é tarefa da arte, agora mais do que nunca, traduzir essa vibração em forma, som, experiência. Não para explicar, mas para evocar o mistério. Não para fechar sentidos, mas para abrir estados de escuta.


"O Tao é o caminho. As Cordas são suas vibrações."— Fragmento apócrifo do futuro


 
 
 

Comentários


Site de música

callerajarrelis electronic progressive music

callerajarrelis Electronic  Progressive Music

bottom of page