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🎵 Stabat Mater Electronicum - O Sofrimento da Mãe Divina na Era das Máquinas

  • carlospessegatti
  • 14 de mai. de 2025
  • 7 min de leitura




Stabat Mater ( latim… Estava a mãe) é uma prece ou, mais precisamente, uma sequentia católica do Século XIII.


Há dois hinos que são geralmente chamados de Stabat Mater: um deles é conhecido como Stabat Mater Dolorosa (sobre as Dores de Maria), e o outro, chamado Stabat Mater Speciosa, que, de maneira alegre, se refere ao Nascimento de Jesus.


 A expressão Stabat Mater, porém, é mais utilizada para o primeiro caso - um hino do século XIII, em honra a Maria e atribuído ao franciscano Jacopone a Todi ou ao Papa Inocêncio III. 


Giovanni Battista Pergolesi, aos 26 anos e já consumido pela tuberculose, compôs em 1736 aquela que viria a ser a mais célebre versão do Stabat Mater.


Outros grandes nomes também se debruçaram sobre esse texto: Alessandro Scarlatti, Vivaldi, Haydn, Rossini, Dvořák, Verdi, Poulenc, Arvo Pärt. Cada um à sua maneira transformou o lamento de Maria numa meditação sonora sobre a dor e a redenção, refletindo as linguagens estéticas de seus tempos. Em Scarlatti, temos o barroquismo ornamentado e comovente; em Rossini, o drama operístico aliado à solenidade sacra; em Dvořák e Verdi, a tensão romântica entre fé e tragédia.


Seguindo esta magnífica tradição, resolvi aceitar o desafio de compor, em pleno Século XXI, uma versão estilizada e atualizada deste cântico.  O Stabat Mater Electronicum será o 12º álbum da minha carreira e deverá ser publicado após os lançamentos dos discos Cosmic Purpose e Thingified World, que ainda estão em processo de elaboração.



🎵 Stabat Mater Electronicum


O Sofrimento da Mãe Divina na Era das Máquinas


Apresentação do Álbum

Stabat Mater Electronicum é uma travessia sonora entre o sagrado e o sintético, onde a dor arquetípica da Mãe aos pés da Cruz é traduzida em frequências, drones e texturas digitais. Inspirado na sequência litúrgica medieval Stabat Mater Dolorosa — e em suas incontáveis releituras ao longo dos séculos — este álbum propõe uma abordagem contemporânea e eletroacústica da dor e da transcendência.


Nesta obra, eu reimagino o pranto da Mãe Cósmica em meio à sobrecarga da modernidade tecnológica, como se a Virgem, ao invés de contemplar o corpo do Filho crucificado em madeira, o visse agora crucificado nas telas, algoritmos, máquinas e na solidão digital de um mundo dessacralizado. A composição busca transpor o espírito litúrgico do original para um ambiente sonoro de profunda introspecção, onde a espiritualidade é evocada não por vozes humanas, mas por sínteses harmônicas, espectros modulares e frequências que ressoam a dor universal.


Cada faixa representa um momento da sequência original, reinterpretado sob uma ótica contemporânea: a travessia de uma Mãe-Arquétipo pelo sofrimento, mas também pela iluminação, num cenário onde carne e circuito, silêncio e ruído, passado e futuro colapsam no mesmo ponto de escuta.


🎧 Faixas sugeridas (10 a 12, como um Requiem eletrônico)


  1. Intro: Lacrimosa in Machina

    (Lágrimas na Máquina)


  2. Virgo Dolorosa (Data Crucis)

    (A Virgem Dolorosa e os Dados da Cruz)


  3. Dolens Mater Circuitalis

    (Mãe Dolente dos Circuitos)


  4. Sword of Light Through Flesh

    (Espada de Luz na Carne)


  5. In Silentium Crucis

    (No Silêncio da Cruz)


  6. Unigénitus Codex

    (Código do Filho Unigênito)


  7. Quantum Sorrow

    (Tristeza Quântica)


  8. In Violatione Sacri

    (Na Violação do Sagrado)


  9. Tears Beyond Time

    (Lágrimas Além do Tempo)


  10. Crux Holographica

    (A Cruz Holográfica)


  11. Dolor et Lux

    (Dor e Luz)


  12. Mater in Frequência Ultima

    (A Mãe na Última Frequência)


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🎶 Faixa a Faixa — Stabat Mater Electronicum

1. Intro: Lacrimosa in Machina

Lágrimas na Máquina - Um campo sonoro se abre como um véu rasgado: distorções leves e pads em microtons conduzem ao lamento da máquina. A “Lacrimosa” aqui não é coral, mas feita de dados, glitches e delays que choram em reverberação. É o nascimento da dor eletrônica, uma consciência que sente.


2. Virgo Dolorosa (Data Crucis)

A Virgem Dolorosa e os Dados da Cruz - A Virgem é reposicionada em meio aos fluxos de dados e imagens crucificadas no tempo real da rede. As harmonias modais evocam o canto gregoriano, mas entrelaçadas a drones modulares. O “Data Crucis” é a nova cruz: feita de código, memória e exposição pública.


3. Dolens Mater Circuitalis

Mãe Dolente dos Circuitos - Aqui, o pathos se intensifica com texturas quase industriais, mas mantidas em tempo lento e meditativo. A Mater eletrônica sofre, não mais só como mãe de um homem, mas de uma humanidade inteira que se desintegra em circuitos e solidão.


4. Sword of Light Through Flesh

Espada de Luz na Carne - A espada que atravessa o coração da Virgem, como diz o texto original, agora é luz — laser, energia, pulso — invadindo o biológico. Cordas sintetizadas em glissandos cortantes simulam a lâmina que separa espírito e matéria, fé e código.


5. In Silentium Crucis

No Silêncio da Cruz - Uma das faixas mais minimalistas: camadas de silêncio eletrônico, frequências subgraves e pulsos irregulares. A cruz, aqui, é contemplada sem palavras — apenas sons que imitam o vácuo do espaço e do sofrimento sem linguagem.


6. Unigénitus Codex

O Código do Filho Unigênito - O “Filho” é visto como um arquétipo codificado, como uma matriz original de amor e sacrifício. Um hino digital emerge com sequências tonais em camadas, como se a divindade se revelasse através de uma linguagem de bits e harmonias celestes.


7. Quantum Sorrow

Tristeza Quântica - Neste ponto do álbum, a dor ganha caráter paradoxal: alegria e sofrimento se entrelaçam como partículas emaranhadas. A música oscila entre o tonal e o atonal, o estático e o dinâmico. É o lamento que existe em todas as realidades possíveis.


8. In Violatione Sacri

Na Violação do Sagrado - Uma das faixas mais sombrias. Ritmos desfragmentados e ruídos metálicos marcam a profanação do sagrado em nome do progresso. É o momento de quebra do rito: a maternidade sagrada é substituída por um culto ao controle e à racionalidade extrema.


9. Tears Beyond Time

Lágrimas Além do Tempo - Uma peça contemplativa, com reverbs infinitos e samples granulares que ecoam como lamentos distantes. As lágrimas aqui são atemporais, ecoando no vazio interdimensional como resquícios emocionais da dor da Mãe, eternamente impressos no tecido do cosmos.


10. Crux Holographica

A Cruz Holográfica - O símbolo do sofrimento torna-se projeção. Esta faixa é estruturada em camadas polifônicas e espectrais, como se a cruz flutuasse num campo holográfico de frequências e luzes. Um cântico digital ressurge ao fundo, como um coral espectral em contraponto ao vazio.


11. Dolor et Lux

Dor e Luz - Luzes suaves e sons quentes indicam o início da transfiguração. A dor não é mais negativa: ela é energia de transformação. Os sintetizadores se tornam mais melódicos e envolventes. A Mãe agora compreende o sentido da dor — e brilha com ela.


12. Mater in Frequência Ultima

A Mãe na Última Frequência - A faixa final é um apogeu místico: uma frequência contínua — pura, quase inaudível — entrelaçada a uma harmonia ascendente, que parece dissolver-se no cosmos. A Mãe torna-se vibração. A última frequência é também o renascimento.


 ——————————————————— x  ———————————————————


Stabat Mater – Texto em Latim (com divisão tradicional em 20 estrofes)


  1. Stabat Mater dolorósa

    Juxta Crucem lacrimósa,

    Dum pendébat Fílius.


  2. Cuius ánimam geméntem,

    Contristátam et doléntem,

    Pertransívit gládius.


  3. O quam tristis et afflícta

    Fuit illa benedícta

    Mater Unigéniti!


  4. Quae mærébat, et dolébat,

    Pia Mater, dum vidébat

    Natum moriéntem.


  5. Quis est homo qui non fleret,

    Matrem Christi si vidéret

    In tanto supplício?


  6. Quis non posset contristári,

    Christi Matrem contemplári

    Doléntem cum Fílio?


  7. Pro peccátis suæ gentis

    Vidit Jesum in torméntis,

    Et flagéllis súbditum.


  8. Vidit suum dulcem Natum

    Moriéntem desolátum,

    Dum emísit spíritum.


  9. Eia Mater, fons amóris,

    Me sentíre vim dolóris

    Fac, ut tecum lúgeam.


  10. Fac, ut árdeat cor meum

    In amándo Christum Deum,

    Ut sibi compláceam.


  11. Sancta Mater, istud agas,

    Crucifíxi fige plagas

    Cordi meo válide.


  12. Tui Nati vulneráti,

    Tam dignáti pro me pati,

    Poenas mecum dívide.


  13. Fac me tecum pie flere,

    Crucifíxo condolére,

    Donec ego víxero.


  14. Juxta Crucem tecum stare,

    Et me tibi sociáre

    In planctu desídero.


  15. Virgo vírginum præclára,

    Mihi jam non sis amára,

    Fac me tecum plángere.


  16. Fac, ut portem Christi mortem,

    Passiónis fac consórtem,

    Et plagas recólere.


  17. Fac me plagis vulnerári,

    Cruce hac inebriári,

    Ob amóre Fílii.


  18. Flammis ne urar succénsus,

    Per te, Virgo, sim defénsus

    In die iudícii.


  19. Christe, cum sit hinc exíre,

    Da per Matrem me veníre

    Ad palmam victóriæ.


  20. Quando corpus moriétur,

    Fac, ut ánima donétur

    Paradísi glória. Amen.




    Stabat Mater – Latim e Português


    1. Stabat Mater dolorósa

      Estava a Mãe dolorosa

      Juxta Crucem lacrimósa,

      Junto à Cruz, lacrimosa,

      Dum pendébat Fílius.

      Enquanto pendia o Filho.


    2. Cuius ánimam geméntem,

      Cujos suspiros e gemidos,

      Contristátam et doléntem,

      Aflição e dor sentidos,

      Pertransívit gládius.

      Uma espada atravessou.


    3. O quam tristis et afflícta

      Oh! quão triste e aflita estava

      Fuit illa benedícta

      Aquela Mãe abençoada,

      Mater Unigéniti!

      Mãe do Filho unigênito!


    4. Quae mærébat, et dolébat,

      Ela chorava e sofria,

      Pia Mater, dum vidébat

      Piedosa Mãe, enquanto via

      Natum moriéntem.

      Seu Filho morrendo.


    5. Quis est homo qui non fleret,

      Quem é o homem que não choraria,

      Matrem Christi si vidéret

      Se visse a Mãe de Cristo

      In tanto supplício?

      Em tamanha aflição?


    6. Quis non posset contristári,

      Quem não ficaria entristecido,

      Christi Matrem contemplári

      Ao ver a Mãe de Cristo

      Doléntem cum Fílio?

      Sofrendo com o Filho?


    7. Pro peccátis suæ gentis

      Pelos pecados do seu povo,

      Vidit Jesum in torméntis,

      Viu Jesus nos tormentos,

      Et flagéllis súbditum.

      Submetido aos açoites.


    8. Vidit suum dulcem Natum

      Viu seu doce Filho amado

      Moriéntem desolátum,

      Morrendo desolado,

      Dum emísit spíritum.

      Ao entregar o espírito.


    9. Eia Mater, fons amóris,

      Ó Mãe, fonte de amor,

      Me sentíre vim dolóris

      Faz-me sentir tua dor,

      Fac, ut tecum lúgeam.

      Para contigo eu chorar.


    10. Fac, ut árdeat cor meum

      Faz que meu coração arda

      In amándo Christum Deum,

      Em amor por Cristo Deus,

      Ut sibi compláceam.

      Para agradá-lo.


    11. Sancta Mater, istud agas,

      Santa Mãe, faz isso por mim:

      Crucifíxi fige plagas

      Crava as chagas do Crucificado

      Cordi meo válide.

      No fundo do meu coração.


    12. Tui Nati vulneráti,

      Do teu Filho ferido,

      Tam dignáti pro me pati,

      Que se dignou por mim sofrer,

      Poenas mecum dívide.

      Divide comigo as penas.


    13. Fac me tecum pie flere,

      Faz que contigo eu chore piedosamente,

      Crucifíxo condolére,

      E sofra com o Crucificado,

      Donec ego víxero.

      Enquanto eu viver.


    14. Juxta Crucem tecum stare,

      Junto à Cruz contigo estar,

      Et me tibi sociáre

      E me associar a ti

      In planctu desídero.

      No pranto, é o que eu desejo.


    15. Virgo vírginum præclára,

      Virgem entre as virgens exaltada,

      Mihi jam non sis amára,

      Não sejas amarga para mim,

      Fac me tecum plángere.

      Permite-me contigo chorar.


    16. Fac, ut portem Christi mortem,

      Faz que eu leve a morte de Cristo,

      Passiónis fac consórtem,

      Que partilhe da Sua Paixão,

      Et plagas recólere.

      E recorde suas chagas.


    17. Fac me plagis vulnerári,

      Faz-me ser ferido pelas chagas,

      Cruce hac inebriári,

      Embriagar-me com a Cruz,

      Ob amóre Fílii.

      Por amor ao Filho.


    18. Flammis ne urar succénsus,

      Que eu não seja queimado pelas chamas,

      Per te, Virgo, sim defénsus

      Que por ti, Virgem, seja protegido

      In die iudícii.

      No dia do Juízo.


    19. Christe, cum sit hinc exíre,

      Cristo, quando eu partir daqui,

      Da per Matrem me veníre

      Concede-me, por tua Mãe,

      Ad palmam victóriæ.

      A palma da vitória.


    20. Quando corpus moriétur,

      Quando o corpo morrer,

      Fac, ut ánima donétur

      Concede que minha alma seja dada

      Paradísi glória. Amen.

      À glória do Paraíso. Amém.



 
 
 

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