

Sub Umbra – O Mistério Cósmico
Inspirada no extraordinário capítulo Sub Umbra, de Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo, esta composição procura traduzir em sons um dos momentos mais profundos da literatura.
Sozinho sobre um atol perdido no oceano, exausto após enfrentar as forças do mar, Gilliatt ergue os olhos para o céu e contempla o que Hugo chamou de o Teto de Tênebras. Nesse instante, o oceano deixa de ser o maior dos abismos. Acima dele abre-se outro, infinitamente mais profundo: o mistério do Universo. Não é apenas a noite que o envolve, mas a vertigem da existência diante do infinito.
A música nasce dessa visão. O murmúrio das ondas contra as rochas evoca a solidão do atol, enquanto delicados timbres cintilantes procuram dar voz ao som imaginário das estrelas — um eco que, desde a infância, sempre acreditei habitar o firmamento. Entre esses brilhos surge, por vezes, uma melodia sombria, como se viesse das profundezas do próprio cosmos. Sub Umbra não pretende descrever o céu, mas sugerir o instante em que um homem, diante da imensidão, percebe que o maior mistério não está no oceano aos seus pés, mas no silêncio infinito que se estende sobre sua cabeça.
"Desde menino, imaginei que as estrelas cantassem. Décadas depois, descobri que esta música era apenas uma tentativa de recordar aquele som." Callera Jarreliss