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Os Setembrinos

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Mais do que uma crônica, A Esquina Sete – A Esquina das Nossas Vidas é um retorno ao lugar onde tudo começou. É o cenário das primeiras amizades, das brincadeiras que pareciam não ter fim e das descobertas que moldaram uma geração de meninos conhecidos como os Setembrinos. Ao revisitar essa esquina, a narrativa revela que alguns lugares deixam de existir apenas no espaço para permanecerem vivos na memória, tornando-se parte inseparável daquilo que somos.

Em Os Jardins Suspensos da Auroriana, a memória revisita um tempo em que a amizade, a música e a contemplação transformavam um terraço suspenso sobre a Rua da Aurora em um refúgio contra a pressa do mundo. Ao redor de uma vitrola, entre discos inesquecíveis, longas conversas e o horizonte do Recife ao entardecer, um grupo de jovens descobre, sem perceber, que alguns lugares permanecem vivos para sempre porque aprenderam a suspender o tempo. Uma crônica sobre a juventude, os afetos e o poder da música de transformar um simples encontro em eternidade.

Em A Estrada, o Sol e os Lobos, a aventura infantil transforma uma simples caminhada em uma verdadeira jornada de descobertas. Entre o calor do sol, a estrada que parece não ter fim e os mistérios criados pela imaginação, o conto resgata o olhar das crianças diante do desconhecido. É uma narrativa sobre coragem, amizade e a extraordinária capacidade da infância de converter cada caminho em uma epopeia inesquecível.

Em A Casa dos Espíritos, uma antiga casa cercada por mistérios torna-se o cenário de uma descoberta que marcaria para sempre a vida do autor. Mais do que uma história sobre o desconhecido, esta crônica narra o encontro inesperado com uma dimensão espiritual que transformou o medo em compreensão e a curiosidade em autoconhecimento. Um relato sensível sobre o dia em que uma simples visita revelou muito mais do que uma casa: revelou uma nova forma de compreender a vida.

Há noites que não terminam quando o sol nasce. Permanecem em nós como uma fresta aberta para o mistério de existir.

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De todos os contos que escrevi, talvez este seja o que mais profundamente mergulha nos territórios da filosofia, da transcendência e do indizível. O que começa como uma pequena conspiração entre dois jovens, às margens dos rios que abraçam o Recife, transforma-se, pouco a pouco, numa experiência em que a memória ultrapassa a própria lembrança e a realidade parece revelar uma dimensão secreta de sua existência.

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Há momentos em que a cidade deixa de ser cenário, o rio deixa de ser apenas água e o tempo perde a rigidez de suas medidas. Tudo parece vibrar em uma mesma frequência, como se, por um breve instante, nos fosse permitido vislumbrar algo que sempre esteve diante de nós, mas que raramente conseguimos perceber.

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Talvez seja isso que a literatura possa alcançar quando toca o indizível: não explicar o mistério, mas nos aproximar dele. Há uma beleza que não cabe nas palavras, uma espécie de presença que atravessa o mundo e nos faz pressentir que a existência guarda profundidades muito maiores do que aquelas que os nossos sentidos habituais conseguem alcançar.

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Ao escrever este conto, tive a sensação de me aproximar dessa fronteira — onde a memória se transforma em poesia, a experiência se abre à transcendência e a beleza do mundo parece carregar consigo alguma coisa de sagrado.

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Não sei se o que encontramos ali é uma revelação, uma ilusão ou simplesmente um daqueles raros instantes em que a vida nos oferece mais do que somos capazes de compreender.

 

Sei apenas que existem experiências que não conseguimos explicar sem empobrecê-las.

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E que algumas noites, mesmo depois de tantos anos, continuam absolutamente vivas dentro de nós.

 

Entre Dois Rios e Nenhum Tempo — A Conspiração Aurora.

Um conto sobre a memória, o mistério da consciência e essa beleza quase inefável que, por vezes, nos faz sentir que o mundo é muito mais do que aquilo que conseguimos ver.

Em Antológicos Dias, a memória veste o sorriso da infância para revisitar episódios tão divertidos quanto inesquecíveis. Entre travessuras, situações inesperadas e histórias que atravessaram os anos, a crônica celebra aqueles dias extraordinários que, sem que soubéssemos, se tornariam parte do patrimônio afetivo de toda uma geração. Um convite para recordar o tempo em que a vida parecia feita de descobertas, risos e aventuras que mereciam ser contadas para sempre.

Em Perto da Borda, um encontro aparentemente casual com um disco recém-lançado transforma uma tarde comum em um daqueles momentos que permanecem gravados para sempre na memória. Entre a amizade, a descoberta musical e o fascínio pelo rock progressivo, a narrativa revela como certos instantes têm o poder de inaugurar novos horizontes e acompanhar uma vida inteira. Uma homenagem àqueles dias em que entrar numa loja de discos significava estar prestes a descobrir um novo universo.

Em meio às aventuras de um grupo de adolescentes que acreditava ser capaz de conquistar o mundo, uma frustrada tentativa de invadir um baile transforma-se numa das lembranças mais divertidas da juventude. Entre muros, cachorros, chuva, sustos e gargalhadas, o episódio revela que as maiores vitórias nem sempre acontecem como planejado. Um conto sobre amizade, irreverência e aquele tempo em que qualquer noite comum podia tornar-se inesquecível.

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O velho Cine São Luiz, onde algumas noites nunca terminaram

O Cine São Luiz sempre foi mais do que um cinema. Erguido às margens da Rua da Aurora, tornou-se um dos grandes templos da cultura recifense e, para toda uma geração, o palco das inesquecíveis sessões da meia-noite, onde os filmes eram vistos antes mesmo de chegarem ao circuito comercial. Cada sábado era uma celebração da juventude, da amizade e da expectativa pelo desconhecido.

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Este conto revive uma dessas noites especiais, quando a tela exibiu Let It Be, o documentário que registrava os últimos dias dos Beatles. Os jovens que lotavam a sala esperavam reencontrar a energia da banda que havia transformado suas vidas. Em vez disso, assistiram a longas conversas, silêncios e tensões entre os integrantes do grupo. A música parecia nunca chegar. A impaciência logo tomou conta da plateia.

 

Entre gritos de "Queremos música!", "Quero meu dinheiro de volta!" e outras manifestações de protesto, a confusão cresceu a ponto de interromper definitivamente a sessão. O tão aguardado concerto no terraço da Apple Corps — a última apresentação pública dos Beatles — jamais seria visto naquela noite.

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Ao deixar o São Luiz naquela madrugada, o narrador carregava uma dupla frustração: o filme havia sido interrompido justamente antes do momento mais esperado, e permanecia a amarga sensação de que algo precioso escapara para sempre. Somente muitos anos depois compreenderia que aquela inquietação não nascia apenas do fim dos Beatles ou da sessão inacabada. Ela era o pressentimento de que uma época inteira começava a desaparecer.

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Quando o Sonho Acabou na Sessão da Meia-Noite é mais do que a lembrança de uma noite no velho São Luiz. É uma narrativa sobre o instante em que o tempo começa, silenciosamente, a nos transformar. Afinal, às vezes, a vida também interrompe a sessão antes da cena que mais esperávamos ver.

O Recife das tardes de sábado

 

Há cidades que permanecem dentro de nós muito depois que deixamos de percorrer suas ruas. Recife é uma delas.

Neste conto, a memória retorna a um Recife de outros tempos, quando a cidade parecia maior, mais misteriosa e, sobretudo, mais disponível para a imaginação das crianças. Um Recife de sábados luminosos, de ruas conhecidas, pequenas regras, aventuras improvisadas e descobertas que hoje sobrevivem apenas na lembrança.

E havia o futebol.

 

Depois das 13 horas, quando um estacionamento da cidade fechava suas portas para os carros, aquele espaço deixava de pertencer aos automóveis e passava a ser nosso. Bastava uma bola para que o asfalto se transformasse em campo, e algumas horas eram suficientes para que meninos transformassem um simples estacionamento em estádio, território e sonho.

 

Resgatar essas peladas é também resgatar um pedaço daquele Recife — um tempo em que a infância ocupava as ruas, inventava seus próprios mundos e fazia da cidade um imenso lugar de descobertas.

 

Entre lembranças, afetos e pequenas aventuras, este conto procura recuperar não apenas um episódio vivido, mas a atmosfera de uma infância que o tempo levou consigo.

Um novo fragmento dos Setembrinos: o Recife encantador das ruas, das amizades e das tardes de sábado.

​Há histórias que podem ser contadas em voz alta. Outras exigem que se feche a porta, se olhe para os lados e se pergunte: “Será mesmo que eu devo contar isso?”

 

Os Segredos de François Holderling pertence à segunda categoria.

 

François Holderling existiu. Foi um artista plástico que viveu no Recife no início dos anos 1970 e cruzou, por circunstâncias absolutamente singulares, o caminho dos Setembrinos. O nome, entretanto, é fictício.

 

A personagem literária nasceu da memória, da imaginação e da liberdade que somente a ficção permite.

 

O que se segue é uma história que percorre, sem cerimônia, algumas das regiões mais íntimas, ridículas, absurdas e deliciosamente proibidas da experiência humana.

 

Desejo, sexo, vergonha, exagero, situações escatológicas e acontecimentos que parecem ter sido inventados pela mais desvairada das imaginações se misturam numa narrativa em que o leitor jamais terá certeza absoluta de onde termina a lembrança e começa a ficção.

 

Mas talvez essa pergunta nem seja tão importante.

 

Porque, acima de tudo, Os Segredos de François Holderling é uma Ode ao Riso.

 

Um riso que nasce do absurdo, da transgressão, da memória e daquela capacidade humana — tão necessária e, às vezes, tão esquecida — de rir de si mesma.

 

Por trás das situações improváveis e dos episódios que certamente fariam corar alguns leitores, existe também o retrato de uma época, de seus costumes, de suas liberdades, de seus tabus e de uma juventude que descobria o mundo muito antes de saber exatamente o que fazer com ele.

 

Baseado em fatos reais, mas atravessado deliberadamente pela ficção, o conto não pretende reconstruir uma biografia.

 

Pretende fazer algo mais literário: ressuscitar um personagem que a memória guardou e devolvê-lo ao mundo transformado em narrativa.

 

Talvez por isso este seja, entre os contos dos Setembrinos, O Livro Proibido.

 

Não porque nele exista algo que não possa ser contado.

 

Mas porque algumas histórias, quando finalmente encontram quem tenha coragem de contá-las, descobrem que o escândalo pode ser apenas outra forma de literatura — e que o riso, às vezes, é a maneira mais poderosa de atravessar aquilo que um dia pareceu proibido.

 

François Holderling existiu.

 

O resto desta história pertence à literatura.

Em uma tarde de sábado no Recife de 1971, Callera e seus amigos Setembrinos seguiram para o Cine Veneza, a mais moderna sala de cinema da cidade, para assistir ao documentário sobre o lendário Festival de Woodstock, realizado em agosto de 1969.

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Depois de mais de dois anos de espera, aquela sessão prometia muito mais do que música e imagens: era a oportunidade de vivenciar, ainda que virtualmente, a experiência de uma geração que sonhou com a paz, o amor, a liberdade e a transformação do mundo.

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Entre a efervescência das ruas, a atmosfera quase ritualística do cinema e as apresentações antológicas de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Alvin Lee and Ten Years After, The Who, Santana, Joe Cocker e tantos outros, o narrador revive o entusiasmo de uma juventude que encontrava no rock uma linguagem própria e na contracultura a expressão de seus anseios. Mas, por trás da euforia, surge também uma reflexão sobre os sonhos coletivos daquela época, as forças que se opuseram a eles e a progressiva perda da esperança em uma sociedade menos submetida à lógica do mercado e do individualismo.

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Mais do que uma memória musical, Uma tarde em Woodstock é um retrato afetivo e crítico de uma geração que acreditou na possibilidade de mudar o mundo. Uma viagem ao passado que recupera não apenas os sons e as emoções de uma época, mas também a esperança que ainda precisamos reencontrar no presente. Porque, às vezes, basta uma única tarde para transformar uma vida inteira.

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Nesta página encontram-se reunidos os contos dos Setembrinos: histórias inspiradas nas aventuras, descobertas e desventuras que marcaram minha infância e juventude. Cada narrativa é um reencontro com um tempo em que as ruas eram territórios de imaginação, a amizade era uma forma de eternidade e cada dia escondia uma nova aventura à espera de ser vivida.

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