top of page

Alfred Adler e a coragem de abandonar a própria prisão

carlospessegatti
23 de set.
11 min de leitura




Há uma das mais desconcertantes experiências humanas que raramente conseguimos perceber enquanto estamos dentro dela: aquilo que nos faz sofrer pode, ao mesmo tempo, ser aquilo que nos protege.


A afirmação parece contraditória.


Se alguém sofre, pensamos imediatamente que deseja deixar de sofrer. Se alguém está ferido, imaginamos que procura a cura. Se alguém se encontra aprisionado por uma circunstância dolorosa, supomos que fará tudo para libertar-se.


Mas a psicologia de Alfred Adler introduziu uma pergunta incômoda:

e se o sofrimento também estiver cumprindo uma função?


Não significa que a pessoa esteja fingindo.

Não significa que sua dor seja imaginária.

Não significa que tenha escolhido conscientemente adoecer.


A dor pode ser absolutamente verdadeira. O sofrimento pode ser profundo. O corpo pode realmente adoecer, a angústia pode realmente existir e a pessoa pode estar sinceramente convencida de que não possui outra saída.


A questão de Adler é outra.


É perguntar o que aquele sofrimento passou a realizar dentro da vida daquela pessoa.


Porque um sintoma pode não ser apenas aquilo que acontece conosco.

Pode também ser aquilo que, sem sabermos, passamos a utilizar para enfrentar a vida.


Adler construiu sua Psicologia Individual em torno da ideia de que o ser humano não pode ser compreendido apenas por suas causas passadas. O comportamento possui direção, finalidade, uma espécie de orientação para objetivos. Por isso, diante de um comportamento aparentemente incompreensível, ele procurava perguntar não apenas “por que isso aconteceu?”, mas também, em sentido psicológico, “para onde isso está conduzindo esta pessoa?”.


Essa mudança aparentemente pequena altera profundamente nossa maneira de compreender o sofrimento.


A dor que protege


Imagine alguém que, desde muito cedo, desenvolveu a convicção de que não é capaz.


Não necessariamente porque alguém tenha lhe dito isso diretamente.


Talvez tenha fracassado.

Talvez tenha sido humilhado.

Talvez tenha crescido sob excesso de proteção.

Talvez tenha sido comparado constantemente com outras pessoas.

Talvez tenha experimentado alguma limitação real que lhe produziu um sentimento persistente de inferioridade.


Adler percebeu que o sentimento de inferioridade é uma experiência humana

fundamental. A criança nasce dependente, pequena, incapaz diante de adultos que sabem fazer aquilo que ela ainda não consegue. O problema não está em sentir-se inferior; o problema surge quando esse sentimento se torna exagerado, rígido e passa a organizar a maneira como o indivíduo interpreta a própria existência.


Diante da inferioridade, podemos tentar crescer.


Podemos aprender.

Podemos compensar uma dificuldade desenvolvendo outras capacidades.

Podemos procurar ajuda.

Podemos transformar a insuficiência em movimento.


Mas também podemos recuar.


E o recuo pode assumir uma forma curiosamente eficiente:

“Não posso.”


No início, essa frase pode descrever uma realidade.


Mais tarde, pode transformar-se em identidade.


E finalmente pode transformar-se em destino.


A pessoa deixa de dizer:

“Eu não consigo fazer isso.”

e começa, pouco a pouco, a viver como se dissesse:

“Eu sou alguém que não consegue.”


A diferença é gigantesca.

Na primeira frase existe uma limitação.

Na segunda, existe uma definição do ser.


Quando a ferida se transforma em identidade


É nesse ponto que o pensamento de Adler se torna filosoficamente perturbador.


Uma experiência pode acontecer conosco sem que tenhamos escolhido.

Mas a interpretação que construímos sobre ela pode, pouco a pouco, passar a organizar nossa vida.


Não somos responsáveis por tudo aquilo que nos aconteceu.


Mas podemos participar da maneira como aquilo que nos aconteceu continuará existindo dentro de nós.


Essa não é uma afirmação de culpa.


É uma afirmação de possibilidade.


Adler não acreditava que o indivíduo fosse simplesmente determinado por sua biologia ou por seu ambiente. Ele introduziu na explicação psicológica uma dimensão de criatividade e autodeterminação: diante das condições que recebe, a pessoa constrói uma maneira particular de interpretar e enfrentar a vida.


É aquilo que Adler chamou de estilo de vida.


Não se trata simplesmente do modo como alguém se veste, trabalha ou organiza seus hábitos.


É uma estrutura mais profunda:

a maneira como a pessoa percebe a si mesma,

a maneira como percebe os outros,

a maneira como interpreta o mundo,

e a maneira como procura alcançar aquilo que considera necessário para sua existência.


Esse estilo pode ter começado como uma resposta perfeitamente compreensível a circunstâncias difíceis.


O problema aparece quando uma estratégia que um dia protegeu a pessoa continua sendo utilizada muito depois de a situação que a originou ter mudado.


A defesa permanece.

A ameaça talvez já não exista.


Mas a pessoa continua vivendo como se existisse.


A fortaleza


Podemos imaginar a personalidade como uma cidade.


Em determinado momento de sua história, essa cidade foi atacada.


Construiu muralhas.


As muralhas foram necessárias.


Protegiam os habitantes.


Impediam novas invasões.


Com o passar dos anos, entretanto, a guerra terminou.


As muralhas permaneceram.


E a cidade continuou vivendo como se estivesse cercada.


A fortaleza que havia sido construída para proteger tornou-se aquilo que impede os habitantes de sair.


Essa metáfora ajuda a compreender uma das dimensões mais profundas da psicologia adleriana.


Aquilo que inicialmente foi uma solução pode tornar-se posteriormente um problema.

Aquilo que protegeu pode aprisionar.

Aquilo que ofereceu segurança pode impedir o crescimento.

Aquilo que poupou a pessoa de uma dor pode também poupá-la da experiência necessária para superar aquela dor.


O estranho conforto da impotência


Existe uma forma de conforto que não parece conforto.


É o conforto de não precisar decidir.


Se alguém acredita que não pode fazer nada, então também não precisa enfrentar a angústia de escolher.


Se não pode mudar, não precisa tentar.

Se não pode tentar, não pode fracassar.

Se não pode fracassar, pode preservar uma imagem de si mesmo.


É um circuito silencioso.


A impotência protege contra o risco.


E o risco é inevitável quando se deseja mudar.


Por isso, algumas formas de sofrimento podem adquirir uma função psicológica de proteção.


A pessoa não precisa inventar a doença para que isso aconteça.


Não precisa mentir.


Não precisa manipular deliberadamente ninguém.


Pode estar sofrendo sinceramente.


Mas seu sofrimento pode, ao mesmo tempo, funcionar como uma espécie de autorização para não enfrentar determinadas exigências da existência.


É nesse sentido que a ideia posterior de ganho secundário ajuda a nomear um fenômeno que guarda afinidade com a perspectiva adleriana: uma condição dolorosa pode produzir benefícios indiretos, como proteção contra determinadas exigências ou responsabilidades. Mas é importante não confundir isso com a afirmação de que Adler teria formulado exatamente o conceito moderno de “ganho secundário”.


O ganho não precisa ser consciente.


Pode ser apenas funcional.


“Eu sofro, portanto não posso”


Talvez uma das frases mais perigosas que podemos construir para nós mesmos seja:

“Eu sofro, portanto estou dispensado de viver.”


É evidente que existem situações nas quais a pessoa realmente precisa ser protegida, cuidada e afastada de determinadas exigências.


A responsabilidade não pode significar crueldade.


Não podemos exigir de alguém aquilo que ela objetivamente não possui condições de realizar.


Mas existe uma diferença entre ser protegido durante uma travessia e transformar a proteção em residência permanente.


A primeira é cuidado.

A segunda pode tornar-se dependência.


A pessoa começa precisando de ajuda.


Depois passa a precisar que alguém decida por ela.

Depois precisa que alguém justifique suas escolhas.


Finalmente, pode precisar que o mundo inteiro confirme sua incapacidade.


A dependência torna-se identidade.


E então abandonar a identidade passa a parecer uma ameaça.


Porque quem seremos se já não formos aquele que precisa ser protegido?


O papel da vítima


A palavra “vítima” precisa ser usada com extremo cuidado.


Existem vítimas reais.

Existem violências reais.

Existem injustiças reais.

Existem pessoas que sofreram coisas que não escolheram e pelas quais não podem ser responsabilizadas.


Não existe nenhuma sabedoria em dizer a alguém que sofreu uma violência:

“Você precisa deixar de ser vítima.”


Isso pode significar apenas uma segunda violência.


A questão adleriana é outra e muito mais sutil.


Uma pessoa pode ter sido vítima de alguma coisa sem precisar transformar a condição de vítima na identidade definitiva de si mesma.


Essa diferença é extraordinária.


O acontecimento pertence ao passado.


A identidade continua no presente.


E às vezes a pessoa continua pagando diariamente por algo que já aconteceu uma única vez.


A ferida continua aberta porque passou a ser necessária para explicar o presente.


Quando o passado ganha poder demais


O passado possui uma força peculiar.

Ele não pode mais acontecer.

Mas pode continuar determinando.


Uma experiência de abandono pode produzir uma vida inteira de medo de abandono.


Uma humilhação pode produzir décadas de necessidade de reconhecimento.


Uma derrota pode produzir uma existência inteira organizada para nunca mais fracassar.


Uma rejeição pode produzir uma pessoa que prefere não tentar para não ser rejeitada novamente.


O passado deixa de ser memória.


Transforma-se em comando.


É como se uma voz antiga dissesse:

“Não tente.”

“Não confie.”

“Não se exponha.”

“Você não é capaz.”


“Os outros sempre irão abandoná-lo.”


“É melhor permanecer onde está.”


A pessoa acredita estar vivendo o presente.


Mas muitas vezes está apenas obedecendo ao passado.


Adler e a responsabilidade


É justamente aqui que Adler pode ser mal compreendido.


Falar em responsabilidade não significa dizer:

“Você é culpado pelo que lhe aconteceu.”


Significa algo diferente:

“Você talvez possa participar daquilo que fará com o que lhe aconteceu.”


Essa diferença separa culpa de responsabilidade.

A culpa olha para trás e pergunta:


Quem causou isso?


A responsabilidade olha para frente e pergunta:

O que farei agora?


As duas perguntas podem ser necessárias.


Mas não são iguais.


Uma pessoa pode ser inocente em relação à origem de sua ferida e ainda assim precisar assumir responsabilidade pelo modo como continuará vivendo com ela.


Essa é talvez uma das formas mais difíceis de liberdade.


Não escolher o passado.


Mas escolher, dentro dos limites reais da existência, o que fazer com aquilo que o passado deixou.


A coragem não é ausência de medo


Adler colocou grande importância no encorajamento.


Quando o indivíduo se encontra desencorajado, pode retirar-se da vida, competir de maneira destrutiva ou desistir. Quando recupera confiança e sentimento de pertencimento, torna-se mais capaz de cooperar e enfrentar as tarefas da existência.


Isso significa que coragem não é a ausência de inferioridade.


É a capacidade de agir apesar dela.


Não precisamos sentir-nos poderosos para começar.

Não precisamos ter certeza de que venceremos.

Não precisamos deixar de sentir medo.

Precisamos apenas recuperar a possibilidade de movimento.


Talvez a pessoa saudável não seja aquela que nunca diz:

“Eu não consigo.”


Mas aquela que consegue acrescentar:

“Ainda não consigo.”


Essa pequena palavra — ainda — abre novamente o futuro.


A saída da fortaleza


Abandonar o papel de vítima, nesse sentido, não significa negar a própria história.


Significa devolver à história o seu lugar.


Ela aconteceu.


Foi importante.


Produziu consequências.


Talvez tenha produzido feridas que ainda precisam de cuidado.

Mas ela não precisa continuar ocupando o lugar de autoridade absoluta sobre o presente.


A pessoa pode dizer:

“Isso aconteceu comigo.”

Sem precisar dizer:

“Isso é tudo o que sou.”

Pode dizer:

“Fui abandonado.”

Sem concluir:

“Portanto ninguém jamais poderá ser amado por mim.”

Pode dizer:

“Fui humilhado.”

Sem concluir:

“Portanto preciso provar meu valor para o resto da vida.”

Pode dizer:

“Fracassei.”

Sem concluir:

“Portanto sou um fracasso.”


A diferença entre essas frases é a diferença entre acontecimento e identidade.


A pergunta decisiva


Talvez a pergunta mais adleriana que possamos fazer diante de nosso próprio sofrimento seja:

“O que este sofrimento está me permitindo evitar?”

Não:

“Por que eu sou assim?”

Nem:

“De quem é a culpa?”

Mas:

“O que eu não preciso enfrentar enquanto permaneço assim?”


A pergunta pode ser desconfortável.


Talvez revele que determinada tristeza nos protege de uma tentativa.


Que determinada insegurança nos protege da exposição.

Que determinada doença nos poupa de uma exigência que tememos.

Que determinada dependência nos poupa da solidão da decisão.

Que determinada identidade nos poupa do risco de descobrir que poderíamos ser outra pessoa.


E talvez seja justamente aí que começa a verdadeira transformação.


Não quando descobrimos que não sofremos.


Mas quando descobrimos o que nosso sofrimento passou a fazer por nós.


A liberdade possível


Não existe liberdade absoluta.


Essa talvez seja uma das grandes ilusões humanas.


Somos atravessados pela história, pelo corpo, pela sociedade, pela família, pela classe, pela cultura, pelos acontecimentos, pelas limitações materiais e pelas marcas que recebemos.


Adler não oferece uma filosofia ingênua de que “basta querer”.


Sua contribuição é mais interessante.


Mesmo dentro das condições que não escolhemos, existe algum espaço para a construção de uma resposta.


O indivíduo recebe determinados materiais.


Mas participa da construção da forma.


Como escreveu a tradição adleriana ao explicar sua concepção de autodeterminação: hereditariedade fornece capacidades, ambiente fornece impressões, mas a maneira individual de utilizar esses elementos participa da relação que a pessoa estabelece com o mundo.


Essa ideia possui uma força filosófica extraordinária.


Não somos autores absolutos de nossa vida.


Mas também não somos apenas seus efeitos.


Somos, em alguma medida, interpretes de nossas próprias condições.


A segunda vida


Talvez exista uma primeira vida e uma segunda.

A primeira é aquela que recebemos.

Nascemos em determinada família.

Em determinado tempo.

Em determinado corpo.


Dentro de determinadas condições sociais.


Somos atravessados por acontecimentos que não escolhemos.


Aprendemos certas maneiras de perceber o mundo.


Construímos nossas primeiras defesas.


Formamos nossas primeiras crenças sobre quem somos.


Essa é a vida recebida.


Mas existe uma segunda vida.


Ela começa quando conseguimos olhar para aquilo que nos formou e perguntar:

“Isso ainda precisa determinar minha direção?”


Nesse instante nasce alguma coisa semelhante à liberdade.

Não porque o passado desapareceu.

Mas porque deixou de ser soberano.


Do sofrimento à participação


Adler não termina sua psicologia no indivíduo isolado.


E isso é fundamental.


Para ele, a saúde psicológica está ligada ao interesse social, ao sentimento de pertencimento e à capacidade de contribuir para algo que ultrapasse o próprio ego. A saúde não seria simplesmente sentir-se superior, poderoso ou invulnerável, mas desenvolver uma relação de cooperação com os outros e com a vida comum.


Por isso, a saída da posição de vítima não deveria terminar na obsessão pelo sucesso individual.


Não seria:

“Agora preciso provar que sou forte.”


Isso seria apenas outra forma de prisão.


A verdadeira saída seria:

“Agora posso voltar a participar.”


Participar da própria vida.

Participar das relações.

Participar do trabalho.

Participar da criação.

Participar do mundo.


A pessoa deixa de perguntar exclusivamente:

“O que o mundo pode fazer por mim?”


E começa também a perguntar:

“O que ainda posso oferecer ao mundo?”

É nessa passagem que a psicologia de Adler adquire uma dimensão ética.


A ferida não precisa desaparecer



Talvez seja impossível apagar determinadas feridas.

Talvez nem devamos querer apagá-las.


Elas fazem parte da história.


Algumas cicatrizes precisam permanecer para nos lembrar de onde viemos.


A maturidade talvez não seja tornar-se alguém sem feridas.


É tornar-se alguém que não precisa mais organizar toda a existência ao redor delas.


A cicatriz permanece.


Mas já não sangra.


A lembrança permanece.


Mas já não governa.


O passado permanece.


Mas já não determina sozinho o futuro.


E talvez seja essa a verdadeira superação:

não destruir aquilo que fomos,

mas deixar de ser obrigados a permanecer sendo aquilo que fomos.


A liberdade de abandonar a própria prisão


Há prisões que possuem grades.


Há outras que possuem paredes invisíveis.


Algumas são construídas pelos outros.


Outras construímos para sobreviver.


E algumas, depois de construídas, continuamos reconstruindo todos os dias.


A mais difícil de abandonar talvez seja aquela que nos protege.


Porque ninguém abandona facilmente aquilo que um dia salvou sua vida.


É preciso reconhecer primeiro que a muralha teve uma função.


Que a defesa foi necessária.

Que o medo teve uma razão.

Que o sofrimento não foi fingimento.


Que a pessoa fez o melhor que conseguiu com os recursos que possuía naquele momento.

E somente depois disso surge a pergunta decisiva:

“Mas aquilo que me salvou naquela época ainda precisa me proteger hoje?”


Talvez a resposta seja não.

Talvez a guerra tenha terminado.

Talvez a cidade possa abrir os portões.

Talvez seja possível sair.

Não porque a dor nunca tenha existido.

Mas porque ela já não precisa ser a autoridade sobre o futuro.



Talvez seja essa a grande revelação de Adler:

o ser humano pode transformar a própria insuficiência em movimento, ou transformá-la em justificativa para permanecer imóvel.


Pode usar a ferida como razão para nunca mais tentar.

Ou pode, lentamente, aprender a caminhar com ela.

Pode exigir do mundo que reconheça eternamente aquilo que lhe fizeram.

Ou pode reconhecer por si mesmo que sua existência ainda não terminou. Pode permanecer prisioneiro da pergunta:

“Por que fizeram isso comigo?”

Ou, em algum momento, começar a formular outra:

“O que farei agora com aquilo que fizeram comigo?”


A primeira pergunta pertence ao passado.

A segunda abre o futuro.


E talvez a verdadeira coragem não esteja em negar que fomos feridos.


Talvez esteja em perceber que não precisamos transformar a ferida em nossa identidade.


Porque existe uma diferença entre carregar uma cicatriz e carregar uma prisão.


A cicatriz diz:

“Isso aconteceu.”


A prisão diz:

“Isso continuará acontecendo porque é tudo o que você pode ser.”


Adler nos convida a desconfiar dessa segunda frase.


Não para culpar o ferido.


Mas para devolver-lhe aquilo que o sofrimento, pouco a pouco, pode ter retirado:

a possibilidade de movimento.


E talvez liberdade seja exatamente isso:

não escolher aquilo que nos aconteceu,

mas recuperar, dentro das possibilidades reais da existência,

o direito de escolher para onde iremos a partir daqui.



Comentários


Site de música

callerajarrelis electronic progressive music

callerajarrelis Electronic  Progressive Music

bottom of page